Deixemos de futrica

Em meio a tanta interpretação equivocada ou distorcida, revelam-se o que pensam sobre o que é ser comunista.

É bom refletirmos para não cairmos num engodo com fins fatricidas, ou deixarmos tudo como está, pra ver como é que fica?

Fazem isso como expressão de um pavor do comunismo fora do comum. Um ódio canalizado ou destinado a tudo que possa lembrar uma sociedade menos desigual. Como se isso fosse, não só uma coisa impensável mas que não deveria jamais existir.

Nesse rol de alvos do discurso raivoso e agressivo se encontram, socialismo(s), bem estar social, PT, comunismo, igualdade social, sociedade igualitária, etc.

Até aí, tendo como origem uma sociedade que se quer ou se pensa capitalista, mostram equívocos e contradições, mas é até certo ponto, compreensíveis. Especialmente, considerando nossa pouca experiência de governos cujos programas apontaram em direção a um Estado de bem estar social, pelo menos.

Quando se observa incluidos nesse rol de alvos, uma série de pequenos partidos conservadores, além do PSDB, o PMDB de Michel Temer, com dizeres “e essa turma de corruptos do congresso são todos uns comunistas”, etc.,

Ainda que tudo seja “força de expressão”, aí a coisa que já era confusa, vira um “balaio de gatos” que não tem tamanho.

A partir desse ponto, comunista vira comedor de criancinha. Parece adquirirem licença para dizer qualquer coisa. Nesse caso, tudo que não for regido pela mão invisível e impiedosa do ” livre mercado”, que de livre não tem nada, passa a ser o monstro do comunismo.

Esse simplismo de uma guerra entre dois monstros é o que aprisiona ou condiciona, atualmente, certas relações nas redes sociais.

Mas, no vale tudo da guerra midiática, vai para a frente de batalha os menos avisados, os mais afoitos. Aqueles que disparam a esmo,  sem mira, sem alvo definido, sem um mínimo filtro ético ou moral. Mal sabem da natureza das armas que usam. Ah! estão vivendo a euforia tecnológica. Mas, e aí?

Há aqueles que, sabem, pelo menos em linhas gerais, quais alvos querem atingir e como atingir, inclusive reproduzindo munição para essa turma da linha de frente. Trata-se de um batalhão de pessoas um pouco mais especializadas mas igualmente raivosas e agressivas. Dispostas a usar a tecnologia e a comunicação nas redes sociais, sem nunca ter sido exigido deles habilidades para o diálogo saudável ou conhecimento mínimo da história.

Demonstram os propagadores desses memes, frases de efeito ou fakes, com tais atitudes, que é preciso acionar em suas estratégias, todas as emoções, inclusive e principalmente, as mais básicas. Relações biliosas, instintivas, portanto. É possivel identificar a partir dessa reprodução, as fontes de pensamento nas quais se inspiram. Há, no comando dessa guerra midiática, coordenações, centros de estudos (think tanks), com objetivos e estratégias bem definidas. Mas essa é uma outra história.

Vejamos, não tivemos na história do Brasil, qualquer experiência de governo comunista. Esses afetos não têm, portanto, origem numa praxis ideológica demonstrada, vivida pela nossa cultura política. No entanto, no plano das ideias e dos afetos a esperança e o medo sempre andaram juntos. Ora forçando, ora aplacando os impulsos de uns e de outros.

Tivemos partidos, movimentos mas não governos comunistas.

Onde se tentou uma experiência comunista, no planeta, ela aconteceu de forma diferente em cada lugar: ex. China, Rússia, Cuba, Koreia do Norte.

Todas, se não foram desde o início, se transformaram em ditaduras de Estado.

Sempre distantes do ideal de igualdade que motiva as lutas por uma sociedade mais justa para todos ou no mínimo menos desigual.

Foram tentativas. E se continuam as suas “experiências”, com viés de tendência  socialista, ou híbrido, com um socialismo com forte presença do mercado, como é o caso da China, é porque estas experiências estão dando certo para eles, no seu contexto. Não se exauriram e não são monstruosidades como quer o discurso dos muitos que também optaram pela “experiência”, capitalista, mas que, ao que parece se pensam com o purismo conveniente às pretensões hegemônicas.

Se certo ou errado, enquanto ideologia ou forma de governo não cabe a ninguém julgar, senão o próprio povo que alí vive. Exceto, em casos, claramente comprovados, de violações aos direitos humanos.

Os ideais de sociedade mais justa, igualitária ou menos desigual é o que se poderia almejar de uma nova sociedade moderna. Embora se possa dar o nome que quiser a essa nova sociedade.

Os rótulos capitalista, socialista, comunista, nos remetem a modos antigos e malogrados. O que importa é que o sonho seja bom para todos, que nos inspire a buscar uma sociedade soberana e justa, igualitária ou menos desigual. Defender a desigualdade como processo natural das sociedades, impede que avancemos em humanidade.

Outro lembrete que também se comprova pela história, a reforçar a polarização política. O capitalismo selvagem que vem sendo praticado no Brasil nos dois últimos anos, nunca foi sucesso para todos, em lugar nenhum desse planeta. Como justificá-lo?

O sucesso de alguns países nórdicos, os ditos melhores da sociedade capitalista, foi e é devido ao compromisso entre o público e o privado de prover à sociedade, através do Estado, serviços como Educação, Saúde, equipamentos públicos. etc. numa gestão híbrida, que não acontece aqui.

Aqui no Brasil, as empresas querem explorar a mão de obra barata do trabalhador, querem que o Estado retire direitos já garantidos em lei, reclamam dos altos impostos. Reclamam que o retorno do Estado é mínimo mas a corrupção é o resultado de uma relação promíscua entre o público e o privado.

Tudo em nome do lucro $$$, que intimamente, justifica a guerra atual midiática e até uma guerra civil nos moldes da tradição belicista, com reinvidicação de intervenções militares diversas.
A ganância por poder e dinheiro é o que predomina nos bastidores das proposições políticas.

Uma sociedade justa, desenvolvida, igualitária ou menos desigual é impossível com essa mentalidade política e empresarial.

Mas estas contradições absurdas que vemos nos memes e fakes, além de revelar ignorância, ação de abutres do poder econômico e político, também revela um grave descuido de um lado e uma enorme perversidade de outro.

Descuido nosso com a reflexão crítica, educativa, politizada de nós mesmo, o povo. Que não conseguimos nos convencer a todos de um sonho comum e possível.
E perversidade nas manipulações das fragilidades de nossa própria gente com sugestões incorretas ou distorcidas de pautas comunicativas e alimentação de embates com mentiras grotescas.

Promovem a discórdia, o conflito e defendem uma competição sem limites, forçando que as pessoas que sonham um sonho bom para todos, desacreditem do próprio sonho. Para estes ensandecidos é acreditar no impossível. Que a natureza das sociedades humanas é serem desiguais. Não consideram que aquilo que um dia pareceu impossível, hoje é realidade.

Wilson Geraldo de Oliveira.

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