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Spock no Caso Bianca?

Recentemente me foi solicitado por uma amiga que considerasse rever dois vídeos onde Bianca, ao fazer sua narrativa de contato com o extraterrestre Karran(1), se contradiz. Ela me pede que se possível explicasse a ela o que estava acontecendo.

Vi hoje, 03 de fevereiro/2018, os dois vídeos, onde pude perceber as contradições a que ela se refere. Dos documentos, citados abaixo(3 e 4), revi o primeiro e ví pela primeira vez o segundo. Procurei entender o que aconteceu. Gostei da ideia de compartilhar aqui para a reflexão de quem mais se interessar.

O primeiro documento é “Flávio Cavalcanti 1978 – Hermínio e Bianca – Completo partes 1 e 2“(2 e 3) É interessante ver as duas partes, mas a fala que nos interessa está no início da parte 2(3), onde Bianca ao responder a uma pergunta do entrevistador, nos remete a uma possível contradição com o que ela diz hoje no segundo documento “Karran Ri de Bianca, As 144.000 Pessoas, Karma, Biblia, Jesus e Vidas Passadas.”(4)

No primeiro documento, ela é questionada se não seria tudo isso que o casal estava vivendo fruto de sonho ou imaginação. E o entrevistador ainda sugere, “depois de terem assistido a filmes como “guerra nas estrelas”(5), “contatos imediatos do terceiro grau”(7) por exemplo?
E ela responde: “Bem, não, porque isto se deu a quase 3 anos atrás e o filme só está aqui no Brasil agora, né? (Agora era 1978). Pelo menos na época (1976) eu nem sabia se já existia filme desse tipo.”

No segundo documento, gravado recentemente na Fazenda Maik-Buz(Nota1) ela diz: “… eu lembro bem que antes de conhecê-lo tinha iniciado guerra nas estrelas. Um programa, guerra nas estrelas. E aí eu assistia muito, ficava eu e a Franci que era nenenzinha, a gente fica assistindo. E tinha muitos desenhos, a 40 anos atrás, de marcianos, verdes, de anteninhas na cabeça … pra mim o filme era fantasia, um filme como qualquer outro. Aí tá, de repente eu conheço o Karran. Ah tá, é realidade!? então tem!? E ele pega e me pergunta se eu já havia conhecido alguém como ele. Alí naquela confusão, dentro da nave, no contato. Eu falei -sim, já conheci. – Quem? – O Spock. (risos), O Spock, verdade (reafirma ela)… – Spock de onde? (Perguntou, ele)– Do filme Jornada nas estrelas(6), aí ele não aguentou, aquela hora ele riu… (risos) …

Ao que parece, quando o entrevistador faz a pergunta, ele está se referindo mesmo ao filme Guerra nas estrelas que foi lançado no Brasil em 18 de novembro de 1977, portanto, quase 1 ano antes daquela entrevista. E a resposta está relativamente correta para o sentido que ela coloca. Que não era influência daquele filme especificamente. Ela disse “não, porque isto (a experiência dela) se deu a quase 3 anos atrás e o filme só está aqui no Brasil agora, né? (Agora era 03 de setembro de 1978). Pelo menos na época (12/01/1976) eu nem sabia se já existia filme desse tipo.

Ou seja, creio que podemos considerar como plausível que um filme que tenha chegado no Brasil no final de 1977 não tenha sido visto por ela no dia 03 de setembro de 1978. Entretanto, quando ela diz “… na época eu nem sabia se já existia filme desse tipo”, está contradizendo a afirmação dela mesma de que “tinha iniciado guerra nas estrelas”. Um programa, guerra nas estrelas. E aí eu assistia muito, ficava eu e a Franci que era nenenzinha, a gente ficava assistindo. E tinha muitos desenhos, a 40 anos atrás, de marcianos. Verdes, de anteninhas na cabeça … pra mim o filme era fantasia, um filme como qualquer outro.”
Ela poderia não conhecer o filme Guerra nas estrelas, mas não poderia dizer que desconhecia filmes daquele tipo.(imagino que ficção, vida extraterrestre), para não parecer incoerente.

Nesse momento, creio que podemos supor que quando ela disse guerra nas estrelas, lançado no ano anterior, ela quisesse dizer jornada nas estrelas que já estava na TV, e havia sido lançado em 1966. Tanto que ela se refere a “Programa”. Portanto, fazia parte das programações de TV que ela assistia com Franci. E junto dele vários outros filmes e desenhos de marcianos, estes últimos influência de A “Guerra dos Mundos” de Orson Wells(Nota 2).

Creio que o que se percebe nestes dois documentários seja mais confusão do que propriamente contradição. Na TV e sob pressão das câmaras é até certo ponto compreensível alguma confusão. Vale lembrar que existem vários artigos na internet que procuram mostrar as diferenças entre “star wars e star trek”.

Documentários citados

1) Caso Bianca – 12/01/1976)
2) (Flávio Cavalcanti 1978 – Hermínio e Bianca – Completo parte 1 de 2) no final da primeira parte, o pesquisador que acompanhou o caso e identificou as fotografias, citado, me parece ser Alberto F. do Carmo.
3) (Flávio Cavalcanti 1978 – Hermínio e Bianca – Completo parte 2 de 2)
4) (Karran Ri de Bianca, As 144.000 Pessoas, Karma, Biblia, Jesus e Vidas Passadas)

Filmes citados:
5) Guerra nas estrelas (Star Wars) – O primeiro filme foi lançado com o título Star Wars, em 25 de maio de 1977
6) Jornada nas estrelas (Star Trek) – Iniciou-se com uma série para televisão em 1966
7) Contatos imediatos do terceiro grau – O filme é iniciado em em maio de 1976 e é lançado em novembro de 1977.

Nota 1) Fazenda Maik-Buz é a sede da TFCA – Técnica Fisica para a Conquista da Autoconsciência. Onde mora Bianca e onde se pratica a técnica e se tem acesso a outras atividades relacionadas ao trabalho da Bianca e Equipe.
Nota 2) “Guerra dos Mundos” de Orson Wells foi um programa de rádio que provocou pânico após sua transmissão no dia 30 de outubro de 1938. O programa de rádio simulava uma invasão extraterrestre (marcianos) e desencadeou pânico na costa leste dos Estados Unidos.

Uma Nova Ótica Ufológica

Faz algum tempo venho observando o movimento UFO no Brasil e no mundo. Observo o “Fenômeno histórico”. Para além do contato, do avistamento, das abduções, relatos, estudos e pesquisas. Observo as mudanças que o “Fenômeno” tem provocado na sociedade e no livre pensar. Isso vem me apontando questionamentos sobre “O que é de fato a UFOLOGIA?”. Penso que a ufologia precisa ser vista no seu todo, desde o estudo e a pesquisa dos fatos ufológicos, aos seus efeitos na sociedade. Ela representa uma variável provocadora do pensamento humano.

Algumas instituições buscam para si a responsabilidade de definir tipos de extraterrestres, tipos de aparelho (discos), tipos de contato, tipos de abduções. Os ufólogos focam no céu e em tudo de estranho que nele voa (voa?). É importante que isso seja feito e é tão ou mais importante observar o que acontece em volta de cada ocorrência ufológica, o que muda? O que se transforma? No que se transforma?

O fenômeno está na esquina, dentro da sua casa pela TV, é tema de discussão em escolas, de dissertações de graduação, mestrado e doutorado em universidades. Está  nas artes, no cinema, na literatura,  permeia praticamente todas as religiões e tradições. Está na indústria e no comércio, que alimenta desde a simples curiosidade popular ao consumidor mais exigente. Seja com simples souvenir à viagens turísticas e eventos internacionais. Seja com um simples gibi à revistas e jornais exclusivos sobre o assunto, ou a produções literárias mais sofisticadas. O fenômeno  modificou e modifica vidas, comportamentos e áreas físicas, ocupou e ocupa espaço na mídia. O fenômeno UFO/OVNI matou e/ou motivou a morte de pessoas. Ele é presente, real, concreto, palpável.

No Brasil, em pleno planalto central existe uma comunidade em que avistamentos são comuns. Há uma comunidade inteira que cultua o fenômeno. Os seres “extraterrestres” são vizinhos, parentes, deuses, guias, mestres. Essa comunidade ensina as suas crianças a amar o seu “semelhante” do cosmos.

Nos Estados Unidos pessoas se matam para irem se encontrar com seus mentores espirituais que viriam em um aparelho (disco), na cauda de um cometa.

Não ouso afirmar: “existe uma preparação para o dia da chegada.” Não é “preciso” ser profético. Os fatos se mostram no cotidiano. E isso não é cíclico, é único. E não parece que vai passar, como uma onda da modernidade. Os horizontes apontam muito mais, um processo diacrônico do ponto de vista de sua evolução. Muda-se a embalagem (procedimento sincrônico) de homenzinhos verdes marcianos do início do sec. XX à uma imensa diversidade tipológica no século XXI. O contato, a interação, está se intensificando.

A tentativa de padronização midiática na forma de Grays representou um outro procedimento sincrônico (na embalagem). O sincrônico prevalece sobre o diacrônico, pois a massa percebe somente o que está sendo utilizado no momento em sua forma aparente e simplificada. Sua mudança, em torno da diversidade, no entanto, revelando comportamentos diversos, e sentidos mais complexos, por ser gradual, passa despercebida, da maioria.

No século XIX Júlio Verne escrevia para crianças sobre viagem a lua, submarinos, viagem ao centro da terra. Como se estivesse acostumando aquela geração ao convívio com as maravilhas do futuro. Antigamente eram os livros e as leituras que faziam isso e agora? Agora temos a indústria cinematográfica, que a cada ano aumenta os filmes sobre o fenômeno, temos endereços na internet, revistas especializadas ou exclusivas sobre o tema.
Enquanto olhamos o céu a procura de OVNIs, eles vão entrando nas nossas vidas, modificando nosso pensar, nosso agir. Que será essa relação? uma lenta invasão? ou um lento processo de interação com outras civilizações? Eu quero crer que seja uma bela e surpreendente interação. Que com ela venha a expansão de nossa consciência individual e coletiva.