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Bolívia – a luta continua

A situação da Bolivia é também antiga. Desde a resistência às múltiplas tentativas de exploração levadas a cabo por interesses estrangeiros nas riquezas do país: petróleo, gás natural, prata, estanho, nitrato, que levou, como diz o Prof. Dr. Eugênio Rezende, a um contínuo processo de pilhagem dos recursos naturais da nação, provocando, desde a independência boliviana em 1825, a deflagração de inúmeras guerras e disputas territoriais com países vizinhos. Tais conflitos foram incentivados quase sempre por interesses econômicos imperiais e multinacionais e ao final resultaram na perda pela Bolívia de partes significativas de seu território – para não dizer da própria auto-estima nacional – e de sua única conexão com o mar, com drásticas conseqüências para o futuro da sua economia.”1

Desde 1544 a Bolívia vive conflitos diversos e no meio deles sempre as suas enormes riquezas naturais e suas dificuldades geopolíticas para a exploração em favor da nação. Seu povo constituído de grande diversidade étnica, herdeira de duas culturas milenárias – os tiahuanacotas (aymarás) e os incas (quechuas) sempre foi explorado como escravos, ou mão de obra barata pra enriquecimento da coroa espanhola e de toda a Europa que consumia suas riquezas.

Hoje a questão da Bolívia continua sendo a questão da soberania da América latina, refletindo-se nos conflitos internos a cada nação que dela faz parte.

Cuba representou e representa um bastião da resistência pós libertação da coroa espanhola. Segue-se a Venezuela que luta para preservar sua soberania e suas riquezas contra os imperialistas, nossos irmãos do norte.

Muitos países latinos sofreram e sofrem ataques de mesmo nível, origem e motivação. Como a Bolívia, Chile, Equador, Argentina e Brasil. É por isso, uma luta antiga e atual ao mesmo tempo.

Para tentar ir mais direto ao ponto, quanto as missões religiosas evangélicas e católicas, que tem provocado tanto a preocupação de muitos de seus seguidores, existe um viés que é preciso considerar. A meu ver, os latinos ainda são vistos como índios no sentido pejorativo, como se fossem primitivos. Esse tem sido um pensamento comum de outros países chamados de primeiro mundo, em relação aos países da América latina, especialmente os de língua hispânica. Emboras o Brasil não escape de classificação e disposição tão ou mais grave em razão dos mitos construídos em torno da idéia de “raça”.
Por outro lado, a carência de organizações democráticas, o avanço das tecnologias e a necessidade de acompanhar o desenvolvimento, a modernização e ao mesmo tempo preservar suas culturas sugere uma explicação para as dificuldades locais que se manifestam nas lutas históricas e atuais, sempre evidenciando interesses conflitantes no jogo politico e econômico.

Lá como cá, o judiciário entra em cena. Os poderes constituídos estão sendo questionados.

Nada é de repente e nem por acaso. A meu ver temos que aguardar os acontecimentos e certamente cada povo vai resolvendo seus problemas domésticos na sua luta diária e se alinhando a outros horizontes conforme o futuro que escolherem. Esse é o tempo desses acontecimentos.

Temos que respeitar as decisões e escolhas de cada povo. Afinal temos as nossas decisões a tomar também.

Algo que precisamos questionar é o nosso comportamento proselitista. Acreditamos que nossa fé cristã deve ser levada aos outros países e povos. Não percebemos que esta é uma postura colonialista e resulta de nosso etnocentrismo arraigado. Uma herança da “supremacia branca” européia.
Em vez disso, se não podemos ser solidários, não deveríamos, ao menos respeitar o modo de vida, as lutas e as crenças dos outros povos? Poderíamos até fazer conclaves para mostrar nossos modelos de compreensão do mundo numa perspectiva religiosa também, mas só entraríamos nos países com total respeito ao seu modo de vida e às religiões nativas. E não para convertê-los .

Os acontecimentos na Bolívia acerca do seu novo código penal estão em curso.
A sociedade está se manifestando à sua maneira, como pode ver nos links abaixo e tudo indica que poderá haver uma medida revogatória.

Será uma medida preventiva, pra proteger o país dos parasitas estrangeiros? Evo Morales deverá recuar, em parte, mas pautando os limites que evitarão que o país tenha prejuízos com sua soberania.

Entendo que ele tenha se excedido, ainda que se justifique como medida estratégica. O importante é que o povo mantenha acesa a chama da luta por democracia e digam como querem as suas leis e como querem o seu governo. E não abram mão de participar sempre das decisões de conteúdo interno.

Aqui ainda estamos dormindo e enquanto isso, os abutres dividem o país com as raposas e hienas estrangeiras.

Links sobre a situação na Bolívia.

https://www.cartacapital.com.br/internacional/imprensa-boliviana-e-levada-a-justica-pelo-governo

Notícias recentes:
http://www.eldeber.com.bo/bolivia/Paro-en-Cochabamba-anima-a-nuevas-protestas-civicas-20180116-0105.html

http://www.eldeber.com.bo/bolivia/Se-suspende-ampliado-de-la–COB-entre-gritos-de-congreso-y-abrogacion-20180117-0041.html

http://www.eldeber.com.bo/seccion/multimedia//bolivia/Juran-en-La-Paz-nuevos-jefes-departamentales-de-la-Policia-Boliviana-20180116-0069.html

http://www.eldeber.com.bo/bolivia/Ultimatum-civico-para-que-Evo-abrogue-el-codigo-y-no-se-repostule-en-2019-20180117-0058.html

https://www.eldia.com.bo/ – Diário El Dia Bolívia – online

http://elmundo.com.bo/web2/index.php/noticias/index?id=ministro-de-educacion-plantea-la-lectura-comprensiva-del-codigo-penal – EL MUNDO

Wilson Geraldo de Oliveira.