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out 01

Uma Nova Ótica Ufológica

Faz algum tempo venho observando o movimento UFO no Brasil e no mundo. Observo o “Fenômeno histórico”. Para além do contato, do avistamento, das abduções, relatos, estudos e pesquisas. Observo as mudanças que o “Fenômeno” tem provocado na sociedade e no livre pensar. Isso vem me apontando questionamentos sobre “O que é de fato a UFOLOGIA?”. Penso que a ufologia precisa ser vista no seu todo, desde o estudo e a pesquisa dos fatos ufológicos, aos seus efeitos na sociedade. Ela representa uma variável provocadora do pensamento humano.

Algumas instituições buscam para si a responsabilidade de definir tipos de extraterrestres, tipos de aparelho (discos), tipos de contato, tipos de abduções. Os ufólogos focam no céu e em tudo de estranho que nele voa (voa?). É importante que isso seja feito e é tão ou mais importante observar o que acontece em volta de cada ocorrência ufológica, o que muda? O que se transforma? No que se transforma?

O fenômeno está na esquina, dentro da sua casa pela TV, é tema de discussão em escolas, de dissertações de graduação, mestrado e doutorado em universidades. Está  nas artes, no cinema, na literatura,  permeia praticamente todas as religiões e tradições. Está na indústria e no comércio, que alimenta desde a simples curiosidade popular ao consumidor mais exigente. Seja com simples souvenir à viagens turísticas e eventos internacionais. Seja com um simples gibi à revistas e jornais exclusivos sobre o assunto, ou a produções literárias mais sofisticadas. O fenômeno  modificou e modifica vidas, comportamentos e áreas físicas, ocupou e ocupa espaço na mídia. O fenômeno UFO/OVNI matou e/ou motivou a morte de pessoas. Ele é presente, real, concreto, palpável.

No Brasil, em pleno planalto central existe uma comunidade em que avistamentos são comuns. Há uma comunidade inteira que cultua o fenômeno. Os seres “extraterrestres” são vizinhos, parentes, deuses, guias, mestres. Essa comunidade ensina as suas crianças a amar o seu “semelhante” do cosmos.

Nos Estados Unidos pessoas se matam para irem se encontrar com seus mentores espirituais que viriam em um aparelho (disco), na cauda de um cometa.

Não ouso afirmar: “existe uma preparação para o dia da chegada.” Não é “preciso” ser profético. Os fatos se mostram no cotidiano. E isso não é cíclico, é único. E não parece que vai passar, como uma onda da modernidade. Os horizontes apontam muito mais, um processo diacrônico do ponto de vista de sua evolução. Muda-se a embalagem (procedimento sincrônico) de homenzinhos verdes marcianos do início do sec. XX à uma imensa diversidade tipológica no século XXI. O contato, a interação, está se intensificando.

A tentativa de padronização midiática na forma de Grays representou um outro procedimento sincrônico (na embalagem). O sincrônico prevalece sobre o diacrônico, pois a massa percebe somente o que está sendo utilizado no momento em sua forma aparente e simplificada. Sua mudança, em torno da diversidade, no entanto, revelando comportamentos diversos, e sentidos mais complexos, por ser gradual, passa despercebida, da maioria.

No século XIX Júlio Verne escrevia para crianças sobre viagem a lua, submarinos, viagem ao centro da terra. Como se estivesse acostumando aquela geração ao convívio com as maravilhas do futuro. Antigamente eram os livros e as leituras que faziam isso e agora? Agora temos a indústria cinematográfica, que a cada ano aumenta os filmes sobre o fenômeno, temos endereços na internet, revistas especializadas ou exclusivas sobre o tema.
Enquanto olhamos o céu a procura de OVNIs, eles vão entrando nas nossas vidas, modificando nosso pensar, nosso agir. Que será essa relação? uma lenta invasão? ou um lento processo de interação com outras civilizações? Eu quero crer que seja uma bela e surpreendente interação. Que com ela venha a expansão de nossa consciência individual e coletiva.

3 comentários

  1. Sérgio Almeida

    Wilson
    O meu primeiro comentário se refere, a priori, a máquinas e sensores construídos por seres humanos que possuem as propriedades de detecção próprias definidas em seus respectivos projetos de engenharia. Entretanto, ao que se saiba, nenhum projeto de engenharia humano foi concebido para detectar a presença de aparelhos ou seres (latu sensu) extraterrestres. No entanto, em certas momentos, tais máquinas e sensores fazem registros de “fatos não humanos”; e o que acrescento é que, em havendo seres extraterrestres monitorando-os, conforme o interesse deles tais máquinas ou sensores fazem ou deixam de fazer a detecção e por isto coloquei a palavra “aparentemente” entre colchetes.
    Um exemplo do que mencionei por último, ou seja, sensores fizeram ou deixaram de fazer, conforme o momento durante a ocorrência do fato na “noite dos ufos no Brasil” (19.05.86), em várias situações, por horas, conforme relatos de pilotos e operadores de radar de terra que o relataram (ver Revista Força Aérea, ed. Jun/Jul/Ago 2006, N. 43). Em suma, um jogo de “gato e rato” aconteceu com ampla margem de superioridade por parte deles, ET´s. Concluo que nós enxergamos, com aparelhos ou não, o que eles querem que nós enxerguemos.
    Recentemente (2014), houve o caso do ufo detectado por helicóptero da Marinha Chilena. Considerei muito “coincidente” a velocidade do ufo ser a “mesma” do helicóptero (que estava em sua velocidade de cruzeiro por todo o tempo e não poderia acelerar mais). Penso que o ufo queria ser “enxergado” fossem quais fossem os instrumentos do helicóptero. No momento em que tal fato (detecção) não era mais do interesse do ufo, esse desapareceu, embora os instrumentos do helicóptero fossem capazes de continuar a detecção por muitos quilômetros ainda.
    O meu segundo comentário refere-se à sua observação, a de que máquinas pudessem ser autônomas a ponto de se auto reproduzirem. Bem, esse é um fato – ainda que de pequena monta – em nossa própria civilização, na área da nanotecnologia. É claro que uma civilização outra, bastante mais adiantada poderia criar mecanismos auto reprodutores e daí se espalhar pela galáxia. Essa, aliás, e uma das hipóteses do caso “Paciência” (Rio de Janeiro, 15.09.77), ou seja, a de seres essencialmente robóticos ou talvez simbióticos (interconexão de um ser com uma estrutura robótica complementar, tornando-o um só organismo).
    Por último, não entendi a última pergunta sua: “o criador tornou-se a criação da criatura?”. Não creio nessa hipótese em função do comportamento do tempo na física, ou seja, o efeito não é (ou pode ser) anterior à sua causa.

  2. Wilson

    Sérgio, muito bom seu comentário, gostei muito. Na sua analogia , no último parágrafo, quando diz,

    “…foram e são registradas por um número gigantesco de máquinas e sensores que não estão [aparentemente] sendo induzidos a fazê-lo. Como se diz, simples assim. Não há como negar. A questão está longe de ser, ou seja já o foi há muito tempo: existem (seja lá o que for)?”
    A idéia de um registro (aparentemente ) não induzido sugere algo como, “máquinas” que se tornaram tão autônomas ao ponto de se tornarem uma espécie autocriadora? De tal forma que o criador original tornou – se criação da criatura?
    Uma IA ad eternum.

  3. Sérgio Almeida

    Para comentar o texto acima recorro a um exemplo ilustrativo com dois pontos de vista: o primeiro é o da representação de um observador de um jogo de futebol a partir de uma das cadeiras no alto da arquibancada, ou seja, alguém que acompanha “todos” os lances focando exatamente o “caminhar” da bola, para lá e para cá, e sobre (?) ela as intervenções de cada jogador em cada momento durante uma partida. Este observador pode ter uma percepção técnica apurada e, sendo assim, comenta cada lance ocorrido sem, no entanto, demonstrar “paixão” por qualquer dos times em campo. Este ponto de vista, tecnicista ou não, desapaixonado ou não sobre o fenômeno “jogo” registra e avalia algo que efetivamente ocorre como visto do “lado de fora” da vivência “jogo”.

    O segundo é o de um dos jogadores (de qualquer dos times) mais atuante no jogo, ou seja, de alguém “do lado de dentro” da partida; enfim, que participa do jogo não importando se tem a visão do “goleiro” que é diferente da visão do “atacante” ou a deste último, no entanto um “especialista atuante”, abordando sobre uma experiência que (também), efetivamente ocorre da vivência “jogo”.

    Considerados tais pontos de vista, uma questão crucial que se surge é: efetivamente um jogo está ocorrendo? Isto é real? Mentes, tanto de um observador de arquibancada quanto de um jogador em campo, estão vivenciando uma realidade ou estão sendo sugeridas a pensar que estão participando de uma realidade? Sobre este último ponto não há como saber ainda. Talvez nunca venhamos saber. Uma teoria Matrix, por exemplo, se encaixa aí para explicar; mas isto é uma outra história.

    Imaginando que fazemos parte de um mundo real, tetra dimensional, continuum espaço-tempo, temos que acreditar que o universo existe e estamos inseridos nele. Com todo o resto mais. Então, o campo de futebol é possível existir e jogar bola nele também, com todas as implicações inerentes.

    Mas, estendo a discussão mais um pouco. Vamos imaginar que estamos ainda mais longe daquela realidade do jogo. Mais especificamente, não somos observadores diretos da partida, estando na arquibancada e nem somos jogadores. O jogo está sendo monitorado por maquinas que registram as imagens. Tais máquinas foram construídas por nós e sob nossos padrões de observação e registro. Em um determinado momento não temos ingerência sobre essas máquinas e elas operam por si quando seus sensores, também por si, registram o que foram instruídos por registrarem.

    Essa última consideração, na verdade um terceiro ponto de vista, é o que coloco sobre a questão ufológica. Estamos efetivamente vivenciando isto. Não importa tanto mais se estamos na arquibancada ou jogando no gramado. Importa que estamos sendo informados, por máquinas “idôneas”, que algo que “desconfiávamos” que existia (ou até mesmo, em alguns casos tínhamos certeza da existência) está sendo registrado. Advirto aí que embora os padrões comportamentais de tais máquinas seja essencialmente humano, elas não estão sujeitas a surtos psicóticos, crises existenciais ou algo do gênero; enfim não estão sendo sugestionadas!

    As descobertas científicas, quase que semanalmente registradas por espaçonaves em outros planetas / asteróides, no presente momento não estão sendo sugestionadas a ver nuvens em Plutão, gêiseres de água fria na lua jupteriana Europa, brilhos “desconhecidos” (ainda pela ciência) no asteróide Ceres e assim por diante. Quando eventualmente relatarem “vida” será porque estarão diante de avaliações positivas de “vida” segundo os nossos padrões, por sinal, bastante exigentes.

    Nesta altura do nosso progresso científico, e, diga-se de passagem, sem o seu aval, centenas de milhares de casos de ocorrências, aparentemente “extraterrestre” (por falta de melhor classificação) foram e são registradas por um número gigantesco de máquinas e sensores que não estão [aparentemente] sendo induzidos a fazê-lo. Como se diz, simples assim. Não há como negar. A questão está longe de ser, ou seja já o foi há muito tempo: existem (seja lá o que for)?
    08/10/2016

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